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E se a pessoa que sabe tudo tirar férias?

O risco de ter a operação na cabeça de duas ou três pessoas, e como se passa o que elas sabem para um sítio onde toda a equipa o encontra.

Lourenço BarrosGestão de Clientes

22 de setembro de 20265 min de leitura

Há uma pessoa em quase todas as empresas a quem toda a gente pergunta tudo. Sabe que máquina dá problemas à segunda, que cliente aceita entregas parciais e onde está a ferramenta que ninguém encontra. Quando ela está, tudo funciona.

Quando ela tira férias, a operação continua. Só que mais devagar, com mais telefonemas e com decisões que ficam à espera de ela voltar.

A pessoa que sabe

Este conhecimento não foi escondido por ninguém. Acumulou-se ao longo de anos, em conversas, em papéis na parede e na memória. O plano da semana faz-se a sentir porque é ela que sente.

O risco não está no que ela sabe. Está em mais ninguém saber.

O que isso custa

Não há número na calculadora para isto, e não vamos inventar um. Mas o custo aparece quase sempre nos mesmos três sítios.

  1. 01

    Capacidade parada

    Máquinas e turnos à espera de uma decisão que só uma pessoa sabe tomar.

  2. 02

    Retrabalho

    O mesmo trabalho feito de outra maneira, porque as instruções não estavam escritas.

  3. 03

    Dependência

    Uma saída, uma baixa ou umas férias longas, e a operação abranda.

Porque ninguém escreve

Porque não há tempo, e porque escrever procedimentos parece burocracia. O conhecimento útil raramente está num manual. Está no registo do que acontece, turno a turno, e no histórico de cada problema e de como se resolveu.

Uma operação que só funciona com uma pessoa presente não é uma operação. É uma dependência.

Esse registo não se escreve depois. Ou fica feito quando as coisas acontecem, ou não fica feito.

Como se mede

Faz-se o teste das férias. Durante uma semana, anota-se cada vez que alguém tem de perguntar algo a uma pessoa específica para poder continuar o trabalho: quem foi perguntado, sobre o quê e quanto tempo se esperou pela resposta.

Três perguntas para fazer esta semana

  1. 1Que decisões da operação só uma pessoa sabe tomar?
  2. 2Onde está o plano desta semana, e quem o consegue alterar?
  3. 3Quando um problema se repete, onde fica registado como se resolveu da última vez?

Se as respostas apontarem sempre para o mesmo nome, já se sabe por onde começar.

O que muda

Quando o plano, as instruções e o registo de cada ordem de trabalho estão num só sítio, a pessoa que sabe tudo deixa de ser a única que sabe. Continua a ser a melhor a decidir, mas a operação já não para quando ela não está.

É também a forma mais rápida de integrar alguém novo: em vez de semanas a acompanhar a pessoa certa, há um histórico para consultar.

Escrito por

Lourenço Barros · Gestão de Clientes

Acompanha depois do arranque, que é quando se vê se resultou.

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