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Quantas horas vão para conferir o que o banco já sabe?

O custo escondido da conferência manual de pagamentos, e porque é que pessoas qualificadas passam horas a copiar dados de um ecrã para outro.

Rui PereiraEngenharia de Sistemas

29 de setembro de 20264 min de leitura

Todas as manhãs, alguém abre o homebanking numa janela e o programa de faturação noutra. Linha a linha, confirma quem pagou, marca a fatura como paga e passa à seguinte. Ao fim de duas horas, sabe exatamente o que o banco já sabia às oito da manhã.

É trabalho rigoroso, feito por alguém competente. E não precisava de existir.

O trabalho que ninguém vê

A conferência de pagamentos é só o exemplo mais visível. Há faturas emitidas à mão a partir de dados que já estão noutro sistema, documentos copiados entre programas que não se falam e aprovações paradas num email até alguém se lembrar delas.

Nenhuma destas tarefas aparece como custo. Aparece como «o trabalho da administração».

A conta

Seis pessoas que passam doze horas por semana neste tipo de trabalho, durante 46 semanas úteis, a 14 € por hora com encargos, são 46 368 € por ano.

A conta de uma empresa típicacalculadora
  • 6pessoas em trabalho repetitivo
  • 12 hpor semana, cada uma
  • 46semanas úteis por ano
  • 14 €por hora, com encargos

46 368 €

por ano em trabalho que não precisava de existir

Fazer a conta com os números da empresa

É uma estimativa conservadora: conta só as horas, sem erros, sem retrabalho e sem as oportunidades que ficam por aproveitar enquanto essas pessoas estão a copiar dados.

Porque continua a ser à mão

Porque funciona. Quem confere os pagamentos raramente se engana, e por isso ninguém sente urgência em mudar. O custo não aparece no erro.

O custo não está no erro. Está nas horas que alguém competente passa a confirmar o que já se sabe.

Há também o receio de que automatizar signifique trocar de programa. Na maior parte dos casos não significa: os sistemas que já existem passam a partilhar a informação entre si.

Como se mede

Durante uma semana, cada pessoa da administração anota, ao fim do dia, quanto tempo passou a copiar, conferir ou reescrever dados que já existiam noutro sítio. Uma estimativa por alto chega para o primeiro número.

Três perguntas para fazer esta semana

  1. 1Quantas horas por semana vão para conferir pagamentos?
  2. 2Quantos documentos são escritos à mão a partir de dados que já existem?
  3. 3Quantas aprovações estão paradas neste momento, e há quanto tempo?

Multiplicadas pelo custo por hora e pelas semanas do ano, as respostas dão o valor que entra na calculadora.

O que muda

Na MPL Imobiliária, a conferência das rendas ocupava 480 horas por ano. Hoje a conferência e os relatórios fazem-se sozinhos, e essas horas voltaram para a equipa.

As pessoas continuam lá. Deixam de copiar dados e passam a tratar do que precisa mesmo de alguém: o cliente que ligou com uma dúvida, o fornecedor que pediu uma exceção, a decisão que não cabe numa regra.

Escrito por

Rui Pereira · Engenharia de Sistemas

Põe sistemas que não se falavam a partilhar informação.

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